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Orientação de especialistas

Consentimento do paciente e registros clínicos com IA: o que o consultório precisa documentar

Conheça os principais pontos sobre o consentimento do paciente para usar IA nos registros clínicos, à luz da LGPD e das regras dos conselhos profissionais.

Cartão de termo de consentimento centralizado sobre um fundo creme em degradê, dividido na horizontal (imagem em inglês). A metade de cima, com o rótulo 'CONSENTIMENTO PADRÃO: já está no seu termo', mostra três itens marcados em tinta escura: escopo do atendimento, limites do sigilo e direito de revogar o consentimento. A metade de baixo, em tom coral, com o rótulo 'TERMO ESPECÍFICO PARA IA: necessário para registros com IA', mostra quatro itens com borda coral: fornecedor do assistente de documentação com IA identificado, fluxo de dados do áudio e da transcrição, retenção e opção de exclusão, e política de uso dos dados para treinamento. Uma linha coral tracejada separa as duas metades. O rótulo inferior diz 'SEU TERMO ATUAL NÃO BASTA: FALTA O TERMO ESPECÍFICO PARA IA'. A imagem resume o argumento central do artigo: os termos de consentimento padrão cobrem o escopo do atendimento, mas deixam sem documentação o fluxo de dados específico da IA.

Os assistentes de documentação clínica com inteligência artificial (IA) aprimoram a documentação, mas também criam um ponto cego de conformidade. A maioria dos termos de consentimento foi escrita antes de existirem registros clínicos gerados por IA. Eles cobrem o atendimento, o pagamento e a rotina administrativa, mas raramente mencionam o processamento de áudio em tempo real, os fornecedores de IA externos ou o tratamento dos dados de voz. Ao adotar registros clínicos com IA sem informar o paciente com clareza e sem documentar essa informação (e o consentimento, quando necessário), o consultório corre o risco de perder a confiança dos pacientes e de descumprir a LGPD e as regras da sua profissão. Descubra exatamente o que o seu consultório precisa documentar para adotar a IA ambiente sem comprometer a conformidade.

Por que os termos de consentimento padrão não bastam para a documentação com IA

O termo de consentimento padrão cobre o atendimento, o pagamento e a rotina administrativa, mas não os riscos específicos da IA. Pela LGPD, dados de saúde são dados pessoais sensíveis, e o consentimento é uma das bases legais para tratá‑los, não a única. A geração de registros clínicos com IA traz três elementos novos:

  • Fornecedores de IA externos: os dados muitas vezes saem do consultório para servidores externos. Nesse caso, o fornecedor em geral atua como operador. É recomendável registrar em contrato as instruções de tratamento e as responsabilidades de cada parte, e o paciente precisa ser informado.
  • Possível reutilização dos dados: alguns fornecedores treinam modelos com os dados dos atendimentos, a menos que isso seja expressamente proibido. O termo de consentimento padrão nunca menciona isso.
  • Processamento de áudio em tempo real: a IA processa o áudio da conversa ao vivo, algo que muitos pacientes não esperariam.
Lista de verificação do termo de consentimento específico para IA (imagem em inglês): fornecedor do assistente de documentação com IA, fluxo de dados, retenção, política de treinamento, recusa do paciente e novo consentimento.

Principais elementos a documentar em um termo de consentimento específico para IA

Todo termo de consentimento específico para IA deve incluir estes sete itens:

  1. Escopo do uso de IA: nomeie a ferramenta específica (por exemplo, “Twofold Health”, “Abridge”, “Suki”).
  2. Dados captados: especifique se são áudio, vídeo ou texto, e se são processados em tempo real ou armazenados.
  3. Limitação da finalidade: apenas a redação de registros clínicos, sem usos secundários.
  4. Acesso de terceiros: identifique todos os fornecedores de IA que atuam como operadores dos dados.
  5. Retenção e exclusão dos dados: por quanto tempo o áudio é processado e quando ele é excluído definitivamente.
  6. Recusa do paciente: o direito de recusar os registros com IA sem prejuízo ao atendimento.
  7. Revisão e correção: como o paciente pode pedir correções nos registros gerados por IA.

Exemplo de texto informativo (para um termo de consentimento específico para IA)

“Este consultório usa o assistente de documentação clínica com IA da Twofold Health para redigir registros clínicos a partir das nossas conversas. Sua voz é processada em tempo real e não é armazenada depois que o registro é gerado. Nenhum dado é usado para treinar modelos de IA. Você pode recusar a documentação com IA em qualquer atendimento.”

Documentação além do termo de consentimento: documentos operacionais

Guarde estes documentos na pasta ou no arquivo de conformidade do consultório:

  1. Termo de consentimento específico para IA assinado.
  2. Controle das recusas dos pacientes, com a comprovação das alternativas oferecidas.
  3. Contrato com o fornecedor de IA que registre as instruções de tratamento dos dados e as responsabilidades de cada parte.
  4. Logs de configuração do sistema de IA (comprovação da exclusão do áudio).
  5. Comprovantes de treinamento da equipe sobre o processo de consentimento para IA.

Quando é preciso obter um novo consentimento

Peça um novo consentimento ao paciente quando qualquer uma destas situações ocorrer:

  • Troca de fornecedor de IA.
  • Ativação de qualquer forma de reutilização dos dados (por exemplo, ajuste fino de modelos).
  • Ampliação do uso da IA para novos tipos de registro (telessaúde, procedimentos, saúde mental).
  • Após um incidente de segurança ou uma reclamação de paciente relacionada à documentação com IA.

Etapas práticas para implementar a documentação do consentimento para IA

Siga estas quatro etapas para colocar em prática a documentação do consentimento para IA (em inglês):

  1. Revise os termos atuais: analise os termos de consentimento que você usa hoje. Eles mencionam IA, IA que acompanha o atendimento ou documentação automatizada?
  2. Crie um termo específico para IA: elabore um documento independente, só sobre IA. Mantenha-o separado do termo de consentimento geral e dos demais documentos de proteção de dados, para dar clareza e facilitar atualizações.
  3. Treine a recepção e os profissionais de saúde: ofereça um roteiro simples para apresentar a opção de IA na chegada do paciente (por exemplo, “Usamos uma ferramenta de IA para redigir os registros dos atendimentos. Posso revisar com você um termo de consentimento curto?”).
  4. Registre cada recusa: quando o paciente recusar, anote isso no prontuário eletrônico com um motivo estruturado (por exemplo, “Paciente recusou o assistente de documentação com IA; registro feito manualmente”). Evite anotações vagas em texto livre.

Como receber o “não” com respeito

Quando o paciente recusa a gravação, respeite a decisão e tenha um fluxo alternativo pronto. Prepare também uma opção de documentação sem IA, como um escriba humano, anotações feitas pelo próprio profissional de saúde ou um modelo simples de resumo do atendimento.

Conclusão

Os termos de consentimento padrão nunca foram pensados para a IA ambiente. Eles deixam de fora o processamento de áudio, os fornecedores externos e os riscos de reutilização dos dados. Para usar a IA nos registros clínicos com segurança, o consultório precisa documentar mais do que uma assinatura. Isso significa termos de consentimento específicos para IA, documentos operacionais e o controle das recusas dos pacientes, além de um contrato assinado com cada fornecedor, recomendável para registrar as instruções de tratamento dos dados e as responsabilidades de cada parte. Também significa treinar a equipe para receber as recusas com respeito e saber quando é preciso obter um novo consentimento. Se o seu termo de consentimento não cita o seu assistente de documentação clínica com IA, comece a escrever o termo específico hoje.


Referências

Pickett, T. (2025, January 7). AI scribes and patient consent (em inglês). Avant.

Dúvidas

Perguntas frequentes

  • Precisamos de um termo de consentimento separado para a IA ou basta acrescentar uma linha ao termo que já usamos?

    O ideal é um termo de consentimento específico e separado para a IA. Acrescentar uma única linha a um termo geral não informa o paciente o suficiente nem documenta que ele entendeu.

    • Risco de ambiguidade: uma única linha como “Podemos usar IA” é vaga demais. O paciente não consegue dar um consentimento informado sem saber quais dados são captados (áudio), quem tem acesso a eles (fornecedor) e por quanto tempo ficam guardados.
    • Atualizações mais fáceis: ferramentas, fornecedores e políticas de IA mudam mais rápido que os termos gerais e os avisos de privacidade. Um termo separado pode ser revisado e apresentado de novo sem refazer todo o termo de consentimento.

    Veja como a Twofold trata os dados na nossa política de privacidade.

  • O que devemos registrar se o paciente recusar a IA durante o atendimento?

    Registre a recusa em um campo estruturado do prontuário eletrônico e anote o método de documentação alternativo usado.

    • Use uma lista suspensa ou um campo específico: isso facilita encontrar a informação em auditorias.
      • Motivo (opcional, mas útil): “Paciente manifestou preocupação com a privacidade” ou “Paciente preferiu que o profissional de saúde digitasse o registro diretamente”.
    • Fluxo alternativo registrado: indique o que substituiu a IA (por exemplo, “Nota SOAP feita manualmente”, “Escriba humano utilizado”, “Resumo entregue ao paciente após o atendimento”).
    • Registre que o atendimento não foi prejudicado. Evite frases como “paciente não aderiu à IA”.

    Veja o que conferir ao escolher o seu fluxo de documentação no nosso guia sobre LGPD e conselhos profissionais.


  • O consentimento verbal basta para usar IA nos registros clínicos ou ele precisa ser por escrito?

    O consentimento por escrito (assinatura eletrônica ou em papel) é a prática recomendada.

    • Ponto de partida na LGPD: nem todo tratamento de dados de saúde depende de consentimento. Ele é uma das bases legais para dados pessoais sensíveis, ao lado de outras, como a tutela da saúde em procedimentos realizados por profissionais de saúde. Ainda assim, a IA acrescenta elementos (fornecedores externos, processamento de áudio) que vão além do atendimento em si.
    • As regras da sua profissão podem exigir mais. Antes de gravar, informe a pessoa atendida e verifique os consentimentos e as regras aplicáveis à sua profissão. Consulte nosso guia sobre LGPD e conselhos profissionais, incluindo a restrição à gravação de telenutrição com dados pessoais ou sensíveis. Na psicoterapia realizada por psicólogos, a gravação exige consentimento livre, prévio, informado e por escrito, finalidade justificada e garantia de sigilo.
    • Ônus da prova: quando o consentimento é a base legal, cabe ao consultório, como controlador, provar que ele foi obtido de acordo com a LGPD. Sem um termo assinado, fica mais difícil demonstrar que o paciente entendeu e aceitou os fluxos de dados específicos da IA. Por isso, a documentação por escrito é o caminho mais seguro.

    Veja como a Twofold protege os registros clínicos.