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Orientação de especialistas

Como escrever uma evolução: exemplos e boas práticas

Aprenda a escrever evoluções com exemplos, modelos e boas práticas. Evite erros comuns e use a tecnologia para ter uma documentação de mais qualidade.

Orientações para escrever evoluções eficazes, voltadas a médicos e terapeutas, para aprimorar a documentação dos pacientes.

O que são registros de evolução?

As evoluções têm um papel fundamental na saúde mental, pois documentam as informações do paciente, o histórico clínico e o progresso ao longo das sessões. Esses registros são essenciais para uma colaboração eficaz entre todos os envolvidos no tratamento do paciente. Eles ajudam a garantir uma comunicação fluida e a continuidade do cuidado entre terapeutas e pacientes.

Tipos de evolução

Diferentes tipos de evolução são usados de acordo com a estratégia específica aplicada a cada paciente. Veja abaixo um breve resumo de alguns tipos de evolução comuns:

1. Notas BIRP

As notas BIRP (em inglês) são estruturadas para documentar o seguinte:

  • Comportamento: comportamentos observados pelo terapeuta durante a sessão, incluindo expressões emocionais, físicas ou mesmo verbais.

    Exemplo: “O paciente parecia nervoso e não fez contato visual.”
  • Intervenção: ações realizadas pelo profissional de saúde, como métodos terapêuticos ou procedimentos médicos.

    Exemplo: “Realizada terapia cognitivo-comportamental com foco na redução dos gatilhos de ansiedade.”
  • Resposta: a reação do paciente à intervenção, incluindo mudanças mensuráveis ou relatos que ele tenha feito.

    Exemplo: “Houve melhora no nível de ansiedade do paciente; ele disse que, após a sessão, se sentia um pouco menos ansioso do que antes.”
  • Plano: toda mudança que será feita e incorporada daqui em diante, como agendar retornos ou adotar novas medidas.

    Exemplo: “Na próxima sessão, o paciente fará um treino de atenção plena (mindfulness).”

2. Notas SOAP

As notas SOAP estão entre as estruturas de documentação mais usadas na saúde e na terapia. Elas têm os quatro componentes a seguir:

  • Subjetivo: o relato do paciente sobre as próprias experiências ou sentimentos.

    Exemplo: “Sinto muita sobrecarga o tempo todo e tenho dificuldade para dormir.”
  • Objetivo: observações ou dados mensuráveis coletados durante a sessão.

    Exemplo: “O paciente apresentou sinais visíveis de ansiedade, como inquietação e dificuldade de manter contato visual.”
  • Avaliação: a interpretação clínica do terapeuta com base nos dados subjetivos e objetivos.

    Exemplo: “O paciente apresenta sintomas compatíveis com transtorno de ansiedade generalizada.”
  • Plano: as intervenções terapêuticas e os passos das próximas sessões.

    Exemplo: “Iniciar terapia cognitivo-comportamental para tratar a ansiedade e desenvolver estratégias de enfrentamento; recomendar exercícios de atenção plena entre as sessões.”

3. Notas DAP

As notas DAP (em inglês) são parecidas com as notas SOAP, mas menos complexas, porque os dados subjetivos e objetivos ficam reunidos em uma única parte. Essas notas têm os seguintes componentes:

Dados: observações e percepções coletadas nas sessões ou na comunicação com o paciente.

Exemplo: “O paciente relatou sentimentos de solidão e dificuldade persistente para pegar no sono.”

Avaliação: a interpretação do terapeuta sobre os dados.

Exemplo: “Os sintomas relatados pelo paciente indicam transtorno depressivo moderado.”

Plano: uma abordagem terapêutica detalhada.

Exemplo: “Iniciar sessões semanais de psicoterapia com foco em técnicas cognitivo-comportamentais e avaliar, em conjunto com um psiquiatra, os possíveis benefícios de medicação psicotrópica.”

4. Notas focais

As notas focais destacam problemas ou eventos específicos do paciente:

Foco: um comentário é associado a uma preocupação ou a um evento importante.

Exemplo: “Surgiram no último mês: crises de pânico frequentes.”

Dados: experiências relatadas pelo paciente ou observações feitas durante a sessão.

Exemplo: “O paciente relatou três crises de pânico na última semana, cada uma com duração de 10 a 15 minutos.”

Ação: passos ou intervenções realizados pelo terapeuta.

Exemplo: “Foram introduzidas técnicas de ancoragem (grounding), como respiração profunda e foco sensorial, durante a sessão.”

Resposta: registra‑se a reação do paciente à intervenção ou o progresso observado.

Exemplo: “O paciente relatou se sentir bem mais calmo depois de praticar a segunda técnica de ancoragem.”

5. Notas narrativas

Assim como as evoluções tradicionais, as notas narrativas, também chamadas de evolução livre, não seguem uma estrutura fixa e se concentram em oferecer um relato detalhado, dia a dia, das sessões com o paciente. Elas dão ao terapeuta bastante flexibilidade para incluir quantos detalhes quiser naquela nota. Ainda assim, é importante que o terapeuta se mantenha focado no objetivo principal da nota e não se desvie com detalhes extras que não têm relação com o progresso do paciente.

Exemplo: “O paciente falou sobre a sobrecarga causada pelo estresse no trabalho e citou dores de cabeça frequentes e dificuldade para dormir. O terapeuta apresentou estratégias de enfrentamento, incluindo gestão do tempo e exercícios de relaxamento, e incentivou o paciente a colocá-las em prática na semana seguinte. A próxima sessão foi marcada para revisar o progresso e abordar outras questões.”

Como escrever uma evolução: exemplo

As evoluções podem ser escritas em vários formatos, mas devem incluir elementos essenciais, como a experiência subjetiva do paciente, os dados objetivos, as impressões do terapeuta e o plano para a continuidade do tratamento. Veja abaixo um exemplo de como estruturar uma evolução de forma eficaz:

Evolução no formato SOAP para terapia em saúde mental

  • Subjetivo: a paciente relatou cansaço persistente e ansiedade intensificada, principalmente em situações sociais. Ela disse: “Evito ir a eventos sociais porque eles me deixam ansiosa.”
  • Objetivo: a paciente apresentou sinais de agitação, como mudar de posição na cadeira com frequência, mexer as mãos sem parar e evitar contato visual. A fala estava visivelmente acelerada e o tom de voz, elevado.
  • Avaliação: embora a paciente use com frequência algumas das estratégias de enfrentamento apresentadas anteriormente, alguns dos sintomas de transtorno de ansiedade social parecem ter se intensificado levemente.
  • Plano:
    • Manter as sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC).
    • Introduzir exercícios de atenção plena para praticar em casa.
    • Agendar uma sessão de retorno em duas semanas para avaliar o progresso.

Modelo de evolução

Veja um modelo geral para criar evoluções (em inglês):

[Dados do paciente]

Nome do paciente, número de identificação e data de nascimento.

[Dados da sessão]

Data, horário, duração, local

[Coleta de dados clínicos]

Registre a avaliação clínica dos comportamentos e os sinais ou manifestações de sintomas, e descreva o estado do paciente.

[Intervenções]

Explique os tipos de terapia ou os métodos de tratamento adotados como conduta.

[Resultados e plano]

Avalie a eficácia do tratamento e descreva as atividades da próxima etapa.

Componentes de uma boa evolução

Uma boa evolução é um resumo da sessão do paciente, incluindo o estado dele no momento da sessão e o plano de conduta do terapeuta. Ela deve ser precisa e sistemática e ir além de um simples relato do progresso do paciente, pois servirá de base para orientar os próximos passos. Os componentes a seguir são importantes para criar uma evolução detalhada e eficaz:

Dados do paciente

Uma evolução bem estruturada deve conter o nome completo, a data de nascimento e o número de identificação único do paciente. Todos esses dados são importantes para garantir que os registros do paciente estejam identificados corretamente, deem total clareza para o andamento do tratamento e atendam às exigências legais de uma documentação adequada.

Dados da sessão

É importante anotar data, horário, duração e local para fins de documentação. Isso ajuda a dar continuidade aos atendimentos e permite que o terapeuta acompanhe cada uma das sessões.

Observações sobre o paciente e avaliação clínica

Sua evolução deve descrever o comportamento do paciente e as observações do terapeuta durante a sessão. Por exemplo: “O paciente parecia inquieto, andando de um lado para o outro na sala, o que indica sinais de agitação.”

Práticas baseadas em evidências e próximos passos

Integre técnicas baseadas em evidências e explique os próximos passos do tratamento. Por exemplo: “Para tratar a fobia social, foram aplicadas técnicas de terapia de exposição para ajudar o paciente a enfrentar e manejar suas reações fóbicas.”

Avaliação do progresso em relação aos objetivos do tratamento

Avalie como o paciente está progredindo em relação aos objetivos e se está mais perto de alcançá‑los. Por exemplo: “O paciente reduziu o consumo de cigarros de 15 para 5 por dia, o que mostra um progresso significativo em direção ao seu objetivo.”

Ajustes no tratamento e justificativas

Explique qualquer mudança necessária no plano terapêutico e os motivos desses ajustes. Por exemplo: “A dose do antidepressivo foi aumentada devido à persistência dos sintomas de humor rebaixado, com o objetivo de controlar melhor os sintomas.”

Intervenções da sessão e resultados

Descreva os métodos usados na sessão e o impacto deles no progresso do paciente. Por exemplo: “Após uma série de sessões de hipnose, o paciente relatou redução perceptível da tensão muscular depois dos exercícios de relaxamento guiado.”

Resumo dos relatos e das preocupações do paciente

Documente o que o paciente disser sobre o próprio progresso ou sobre as dificuldades enfrentadas. Por exemplo: “O paciente expressou frustração com o ritmo do progresso e pediu ferramentas mais práticas para lidar com os sintomas.”

Plano de acompanhamento e próximos passos

Descreva os próximos passos do paciente, incluindo sessões de retorno e tarefas combinadas. Por exemplo: “Para a próxima sessão, será pedido ao paciente que mantenha um diário de estratégias de enfrentamento para acompanhar suas reações emocionais e as formas de lidar com elas.”

Erros comuns ao escrever evoluções

Ao escrever evoluções, é importante garantir que sejam precisas, claras, concisas e completas. Alguns erros são comuns na hora de documentar, e o resumo abaixo vai ajudar você a evitá‑los:

Erro

Explicação

Reaproveitar evoluções sem atualizá-las

As evoluções devem registrar com precisão os dados atuais e atualizados do caso do paciente, incluindo o progresso da sessão.

Informações irrelevantes

Inclua apenas informações diretamente ligadas à prática clínica, para evitar confusão.

Usar abreviações não padronizadas

Use termos padronizados para evitar mal-entendidos na comunicação.

Usar linguagem ambígua

Busque clareza e precisão na linguagem para evitar ambiguidades.

Registrar suposições

Baseie as evoluções em fatos observáveis, não em suposições ou palpites.

Boas práticas para escrever evoluções

Para que as evoluções sejam claras, precisas e relevantes para o plano terapêutico atual e para uso futuro, é importante evitar confusões e mal‑entendidos. Veja algumas orientações para criar evoluções eficazes:

  • Use linguagem clara e simples: evite jargão técnico em excesso ao escrever evoluções. Garanta que a linguagem seja clara e simples, para que todos os profissionais de saúde entendam o conteúdo com facilidade.
  • Foque apenas nos detalhes relevantes: inclua só os detalhes mais importantes e relevantes. Isso ajuda a manter as evoluções concisas e específicas e também evita repetições desnecessárias.
  • Documente com precisão as mudanças no estado do paciente: as evoluções devem refletir com precisão qualquer mudança no estado do paciente, seja positiva ou negativa. Isso é fundamental para definir a abordagem de tratamento adequada.
  • Organize as evoluções de forma lógica e sequencial: garanta que suas evoluções estejam bem organizadas, seguindo uma sequência clara e lógica. Isso facilita que outros profissionais de saúde acompanhem e consultem as informações quando necessário.
  • Use terminologia médica padronizada: use termos médicos padronizados para manter a consistência e a clareza. Isso ajuda suas evoluções a atender às exigências legais e a serem eficazes tanto no contexto clínico quanto no jurídico.

Benefícios da tecnologia no registro de evoluções

A tecnologia melhora a gestão das evoluções, apoia a colaboração entre profissionais de saúde mental e ajuda a evitar erros. Veja abaixo um breve resumo dos benefícios de usar a tecnologia para escrever evoluções.

Funcionalidade

Benefício

Automação

Reduz o tempo gasto ao criar evoluções a partir de modelos prontos.

Precisão

Reduz erros de preenchimento com instruções e verificações de validação.

Acessibilidade

Permite que as equipes compartilhem e consultem informações com facilidade, aumentando a produtividade.

Análise de dados

Fornece dados estruturados para entender melhor as tendências no cuidado ou nos resultados dos pacientes.

Normas

Ajuda a seguir as regras e normas aplicáveis à sua área.

Como faturar as evoluções?

Faturar evoluções envolve escolher os códigos adequados para a sessão, de acordo com os serviços prestados. É importante usar o código certo para faturar corretamente, reduzindo erros e evitando auditorias (veja o guia de códigos de faturamento dos EUA (em inglês)). No Brasil, recomenda‑se usar:

  • Códigos CID-10: para identificar e registrar diagnósticos.
  • Códigos TUSS: para documentar os tratamentos e procedimentos realizados.

As evoluções devem sempre corresponder ao que é faturado. Isso reduz o uso de códigos errados e diminui a chance de uma auditoria.

Evoluções com a Twofold

O assistente de documentação clínica com inteligência artificial (IA) da Twofold simplifica a documentação de evoluções para terapeutas da área de saúde mental, com eficiência, precisão e apoio ao cumprimento das normas.

Principais funcionalidades

  • Variedade de modelos: inclui SOAP, BIRP, DAP e opções personalizáveis para atender a diferentes necessidades terapêuticas.
  • Personalização: crie ou modifique modelos para que se adequem ao seu fluxo de trabalho.
  • Automação: instruções estruturadas ajudam a produzir uma documentação completa e com menos erros.
  • Padrões de documentação: os modelos seguem estruturas profissionais de documentação. A IA redige, você revisa e assina, e as regras da LGPD e do seu conselho profissional continuam valendo para cada evolução.

Benefícios

  • Economiza tempo com ferramentas automatizadas.
  • Reduz erros e aumenta a precisão.
  • Organiza as evoluções para facilitar o acesso e a continuidade do cuidado.

Com o assistente com IA da Twofold, o terapeuta pode se concentrar no paciente e manter uma documentação de alta qualidade.

Conclusão

As evoluções têm um papel fundamental para acompanhar o progresso do paciente, contribuir para o cumprimento das exigências legais e normativas e facilitar a comunicação dentro da equipe de saúde. Para aproveitar ao máximo esse registro, é essencial documentar as evoluções de forma precisa, concisa e eficiente. Adotar boas práticas e usar a tecnologia pode agilizar esse processo. Além de apoiar o manejo dos problemas de saúde, as evoluções também são fundamentais para tratar de questões legais ou profissionais no contexto da saúde, o que as torna um componente essencial de uma documentação em saúde completa.

Referências

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  3. Payne, T. H., Keller, C., Arora, P., Brusati, A., Levin, J., Salgaonkar, M., Li, X., Zech, J., & Lees, A. F. (2021). Writing Practices Associated With Electronic Progress Notes and the Preferences of Those Who Read Them: Descriptive Study. Journal of medical Internet research, 23(10), e30165. https://doi.org/10.2196/30165
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Dúvidas

Perguntas frequentes

  • Qual deve ser o tamanho de uma evolução?

    Uma evolução deve ser tão longa quanto necessário para atender ao padrão de cuidado, e não mais que isso. O princípio que orienta é a qualidade, não a quantidade.

    Não existe um número de páginas universal, mas uma evolução bem escrita para uma sessão de terapia padrão, de 45 a 55 minutos, costuma ocupar de meia a três quartos de página (ou de 150 a 300 palavras) quando se usa um modelo estruturado, como DAP ou SOAP.

  • O paciente pode pedir acesso às próprias evoluções?

    Sim. No Brasil, a pessoa atendida em geral tem direito de acessar o próprio prontuário, que inclui as evoluções, e de obter uma cópia dele. A LGPD garante ao titular o acesso aos seus dados (art. 18). O Código de Ética Médica proíbe o médico de negar ao paciente o acesso ao prontuário ou a cópia dele, salvo quando isso trouxer riscos ao próprio paciente ou a terceiros (art. 88). Na psicologia, a Resolução CFP nº 1/2009 garante ao usuário o acesso integral às informações registradas pelo psicólogo no prontuário (art. 5º, II). Já o registro documental, usado quando o serviço não pode ser registrado prioritariamente em prontuário por razões que restrinjam o compartilhamento de informações com o usuário, tem caráter sigiloso (art. 1º). Consulte sempre a legislação aplicável, as normas do seu conselho profissional e seu seguro de responsabilidade civil profissional para saber como lidar com esses pedidos.

  • Por quanto tempo devo guardar as evoluções?

    Os prazos variam conforme a profissão e o tipo de registro. Na psicologia, a Resolução CFP nº 1/2009 fixa um prazo mínimo de 5 anos para a guarda do registro documental, que pode ser ampliado nos casos previstos em lei (art. 4º, § 1º). Para prontuários de paciente, a Lei nº 13.787/2018 estabelece, como regra, que eles só podem ser eliminados depois de, no mínimo, 20 anos a partir do último registro, qualquer que seja a forma de armazenamento (art. 6º). Conheça sempre as normas do seu conselho profissional e a legislação federal aplicável.